terça-feira, 31 de maio de 2011

A Chave da outra sala



Autor: Aarão Macambira

Quando amanhece eu caio em mim
O sonho que me fez voar acabou
Por um momento achei ser real...
As boas-novas não tão boas assim
 
Asas e ervas me fazem voar...
Só nos meus sonhos mais puros
Em meu sono mais profundo
Só nos meus sonhos posso tocar
 
Boa noite: é o destino da próxima viajem
Quando acordo ainda estou na estrada
Bem distante de onde quero chegar
E o medo que dá, me faz chorar
 
As gotas de mar no pára-brisa tem cheiro sol
Parece que eu morri e não sei
Andando em círculos sem chegar
Despertei daquela dor, mas ela ainda está
Onde mora meu propósito, eu não moro lá
Eu quero saber voar
Eu quero saber sonhar...
Pra saber tocar
 
A cor do som é sol
O por do sol é som
A luz da vela é o remédio
Que o choro de dor não cura
Que os olhos de amor não mudam
Viver ainda é melhor que morrer
Quem garante, não arrisca
Mas não larga o osso lambido
Como quem suga um seio com libido
E esquece que por dentro todo mundo é diferente
 
Morde...
Soluça
Beija
Entra morno no pecado...
E mais cedo é hora de acordar.
Fingir não significa ser
Mas o corpo mostra as marcas
A sua arte particular que não é exposta
E mais tarde na hora do jantar
Estender a toalha de mágoas sobre a mesa
Jarro de flores mergulhadas de cabeça
Afogadas as angústias em pétalas
 
E na hora de dormir, sonhar
Ao sonhar, voar
Ao voar, viver
Ao viver, despertar.