Autor: Aarão Macambira
Eu sou antigo, velho mesmo, arcaico. Eu gosto de ser assim,
o moderno é careta, é falso. Eu sou arcaico, mas arcaico mesmo. Velho que nem o
chão. Não há nada mais moderno. Porque o que é novo hoje, é só uma novidade
repetida, um conceito recriado do tacanho, da forma de segregar e etiquetar; transformar
gente em produto. Não! O arcaico é diferente, ele vem lá da essência, do nu, do
cru. O arcaico que eu sou é pedra, não apodrece como o novo que hoje é verde,
broto e amanhã fica podre. O meu moderno é antigo, rocha dos primórdios do
mundo, que se molda, mas não se parte. É essência de tudo que passou, sedimentado
e preservado. Duro, árido, concreto, compacto, forte...
