terça-feira, 15 de maio de 2012

Superficialidades

 
Autor: Aarão Macambira


Eu sofro por só ter amigos bem sucedidos que tomam uísque, falam sobre carros e investimentos, ao invés de estar com um violão e alguns loucos sentado numa beira de calçada.

Eu sofro por ter um emprego público que me paga bem pelo pouco que eu faço, mas não posso reclamar, eu poderia ter um emprego ruim na minha cidade, e nos finais de semana ir à praia de ônibus com os amigos.

Eu sofro por ter uma bela casa bem no centro da cidade e nunca mais precisar tomar um trem lotado ou andar de ônibus por aí só pra meditar sobre a vida.

Eu sofro por ter muito mais do que preciso e saber que a comida que sobra no pedido vai para o lixo que algum faminto vai comer.

Eu sofro por ter um plano de saúde que cobre o tratamento das minhas dores sedentárias, já que não tenho mais tempo de jogar futebol no final da tarde.

Eu sofro por estar cercado de pessoas politicamente corretas ao invés de simplesmente andar por aí com pessoas sinceras.

Eu sofro por ter uma empregada que deixa tudo arrumadinho do jeito que eu não gosto e que não me dá a chance de eu mesmo reparar os meus mal feitos.

Eu sofro por saber que tudo isso que tenho hoje é como uma nuvem de fumaça que com uma leve brisa se desfaz.

Eu sofro com as superficialidades do meu mundo.

Neymarismo Social


                                                                            


















Autor: Aarão Macambira

Será que sou só eu que estou cansado dessa nova moda social hipócrita dos dias de hoje? Vivemos hoje sob uma “cagação-de-regra” geral onde todo mundo é bonzinho. Que sociedade idiotizada é essa em que as pessoas acham que conseguem esconder sua real essência? Essa moda politicamente correta que ninguém pode mais falar ou contar uma piada sem que caia no julgamento “cagarregrista” hipócrita de alguém que queira te processar porque se sente ofendido de forma racista, religiosa, pedagógica, ou sei lá o quê. Somos a sociedade dos melindres, e vivemos essa ditadura. É a ditadura do melindre, todo mundo procurando cabelo em ovo pra se sentir ofendido moralmente, pra apontar o dedo na direção do outro e mostrar que é bonzinho, que é vítima, isso e aquilo... Culpa dessa ordem social assistencialista que vem desde cedo transformando marginal em vítima social. Culpa desses pais de hoje em dia que vem mal-educando seus filhos, transformando-os em dementes inescrupulosos, arrogantes cheios de direito, e egoístas. Um pai não pode mais bater no filho que está indo contra a lei. Aí o filhão, gente boa, produto dessa hipocrisia, aos 15 anos de idade decide tomar o carro do pai e dar uma voltinha. O pai que não pode bater, e já não tem argumentos para conter esse pequeno monstro, faz o quê? Nada. O garoto sai aos pulos no sedã do velho e atropela uma família que esperava o ônibus na esquina. Quem paga o pato? O velho, que de mãos atadas pela sociedade e até por ele próprio que por ter (ou não) educado mal seu filho, agora vive refém desse tipo de mentalidade paternalista.

As pessoas vivem uma época em que não se pode mais demonstrar seus defeitos. A todo custo o que for tido como ruim deve ser escondido, e aí vivemos a ditadura do perfeitinho, do bonequinho politicamente correto. Acho que as pessoas trouxeram para o mundo real essa mentalidade cibernética das redes sociais, em que todo mundo se pinta de correto e bonzinho. Só falta um nariz redondo e vermelho para parecerem palhaços. Claro, sem querer ofender os palhaços. Que fique claro, não tenho nada contra palhaços, por favor, não me processem! Aí fica todo mundo igualzinho, uniforme e alienado, fingindo boas intenções 24 horas por dia. Vivem como ouvi de um amigo outro dia: um ativismo de sofá.

Eu sou do tempo que as pessoas eram mais elas, mais autênticas, menos burocráticas, caretas, chatas. Sou do tempo do Romário, do Túlio Maravilha. Agora não, tem o chatinho do Neymar, que fora jogar futebol, vive uma falsa humildade que grita: marqueting! Enquanto que na minha opinião não passa de uma arrogante, feio e burro. Não sei como a sociedade pode ser tão míope que não percebe isso. Acho que deve ser mais cômodo, fingir que não percebe o que alguém está fingindo ser, enquanto todo mundo finge não perceber quem você está fingindo ser. Da mesma forma nota-se o monte de intelectual que anda por aí, que talvez não tenha lido um livro na vida. As pessoas querem parecer o que não são e a cada dia estão ficando mais práticas nisso. Vivem sob conceitos superficiais sobre tudo, quando na verdade não entendem de nada. Quer parecer inteligente? Seja inteligente, os livros existem para este fim. Não dá para fingir ser inteligente. Um idiota só engana outro idiota. E o pior, somos geridos por essas pessoas. Nunca vi a universidade tão lotada de gente sem cultura. Até mestrados e doutorados! Nas instituições, nas salas de aula (ministrando), se propagam cada dia mais pessoas sem qualquer preparação, sem qualquer mérito para exercer funções sociais e formar opiniões. Não sei se só eu vejo isso, mas eu vejo uma calamidade, a idiotização generalizada da raça humana que crê estar tudo no seu lugar, quando na verdade estamos caminhando para o caos organizado. Vou rezar para que não queiram me processar...