terça-feira, 19 de junho de 2012

Eu Sou Arcaico

















Autor: Aarão Macambira

 
Eu sou antigo, velho mesmo, arcaico. Eu gosto de ser assim, o moderno é careta, é falso. Eu sou arcaico, mas arcaico mesmo. Velho que nem o chão. Não há nada mais moderno. Porque o que é novo hoje, é só uma novidade repetida, um conceito recriado do tacanho, da forma de segregar e etiquetar; transformar gente em produto. Não! O arcaico é diferente, ele vem lá da essência, do nu, do cru. O arcaico que eu sou é pedra, não apodrece como o novo que hoje é verde, broto e amanhã fica podre. O meu moderno é antigo, rocha dos primórdios do mundo, que se molda, mas não se parte. É essência de tudo que passou, sedimentado e preservado. Duro, árido, concreto, compacto, forte...

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